sexta-feira, 8 de abril de 2016

Uma vela para Dario

   Eterna aprendiz ,cai como uma luva para mim..Isso herdei de pai e mãe pois ambos eram muito criativos e cada um na sua lida , sempre aparecia alguma coisa . E sendo assim fui  me adentrar no mundo da Literatura e Filosofia - Uniso .
     Nesta última aula lemos e discutimos um conto de Dalton Trevisan , Uma vela para Dario . O mesmo se passava  numa cidade , uma cena do cotidiano onde um homem cai entre o povo e os transeuntes entre decidir o que fazer e não fazer com o homem , carregando- o daqui e dali  lhe surrupiam um alfinete com  pérola ,a carteira ,sapatos e dentre outras coisas , até seu anel de ouro que só saia do dedo com auxílio de sabão .
     Analisando o comportamento das pessoas apareceram palavras como :indiferença ,desumanidade ,etc
      Tomei coragem e citei um acontecido na minha rua  , periferia de SP  ,lugar pra lá de violento ,onde um  senhor  ao chegar perto de algumas pessoas ali defronte a minha casa ,cai ao chão parecendo estar sofrendo um ataque epilético ou coisa pior  .
       Assustados se providencia  alguma coisa para ele cheirar  , acho que um pano embebido em  vinagre , Detiam ,um japonês  aposentado também vizinho , pediu  uma cadeira para acomodá-lo e até um prato de comida , apareceu para o estranho ,  que comeu  agradeceu e foi embora .
        Semana seguinte , o pessoal chegando , algumas pessoas ali na frente de suas casas , aparece o estranho e cai quase no mesmo local . Já ia começar o corre corre para ajudá-lo ,mas correu Detiam ,o vovozinho ,ergueu os braços e pediu calma e para esperar . O estranho ,  lá deitado ao chão  , parou de estrebuchar , levantou-se rápido  ,bateu a poeira da roupa e deu no pé ,  o velhaco .
        E ontem saí para fazer alguns arranjos , pagamentos , alguma compra ,cartório ,etc . Já ao descer do  ônibus , perto do antigo Vem cá ,um senhor sentado ao chão , cobertor ao lado ,  algumas garrafinhas d´agua , para ele : numa boa .Subindo para o BB ,  outro esquentando o chão . Rumei para o cartório e outro caído DENTRO  de uma loja de tintas . Já voltando ,o mesmo agora na rua , cabeça meio no poste , completamente inconsciente e com as calças quase caindo .Esse parecia alcoólatra .
        Fiquei muito impressionada com esse último .A bem dizer uma vida sem perspectiva e situação muito humilhante . Hoje procurei conversar com uma pessoa que  lida com essas situações e ouvi alguns comentários :É opção deles e não querem outra vida ,são vítimas do vício ,sempre vem alguém com marmita , pedem moedas .Comentei ,  se não seria o caso de uma casa de passagem onde pudessem tomar um banho ,ou o senhor caído dentro da loja para esse local fosse conduzido , até citei o caso da casa abandonada perto da ponte sendo reaproveitada para essa finalidade. . Foi indicada a Secretaria da cidadania .Pergunto : será que ninguém enxerga essa situação ? Sim ,é  direito dessas pessoas viverem em liberdade . E não é direito de quem paga imposto e mantém ativo o comércio da cidade ,ter uma avenida livre para circulação de pessoas ,que também tem o   direito de ir e vir em paz ? Quem precisa de tratamento para  álcool e drogas ,seja encaminhado e inserido em algum grupo e quem quer ficar vendo a vida passar numa boa ,com garrafinha ,marmita ,cobertor ,que se verifique documentação  , passagem pela polícia e seja convidado a pegar no batente como todos nós ou circular longe do centro .